domingo, 2 de outubro de 2011

Reflexões sobre o 11 de setembro (Bruno Momesso Bertolo)

11 de setembro. Uma data marcante. Neste dia, em 1.973, um golpe militar no Chile, apoiado e financiado pelos Estados Unidos da América, depôs e assassinou o Presidente da República, Salvador Allende, implantando uma das ditaduras mais cruéis (estimativa de 40.000 vítimas) da América Latina, comandada por Augusto Pinochet.

Infelizmente, supramencionado 11/09 é olvidado, como se nunca tivesse ocorrido. Esta data é associada, em regra e de imediato, aos ataques terroristas de 2.001, acontecidos nas cidades de Nova Iorque e Washington, que vitimaram cerca de 3.000 pessoas.

Os motivos são desconhecidos, mas pouco ou quase nada se comenta acerca de todos os fatos que desencadearam no 11 de setembro de 2.001.

Por que se omite que Osama Bin Laden e a Al-Qaeda receberam treinamento, suporte financeiro e militar da CIA, para combaterem os soviéticos no Afeganistão durante a década de 80? Por que se oculta que George W. Bush recebeu um relatório do FBI em agosto de 2.001, alertando para possíveis ataques terroristas de elevadas proporções e com a utilização de aviões, mas que nada foi feito para evitar a tragédia?

Ademais, o maior atentado terrorista da História, na verdade, deu-se em 6 de agosto de 1.945, quando uma bomba atômica, despejada pela Força Aérea dos EUA, explodiu em Hiroshima, dizimando aproximadamente 140 mil pessoas em um átimo. Se não bastasse, ainda haveria, 3 dias depois, outra explosão nuclear, desta vez em Nagasaki, onde outras 80 mil vidas foram eliminadas instantaneamente. Outros milhares faleceriam em razão dos efeitos radioativos, os quais ainda geram deformidades e enfermidades no país nipônico.

Neste ponto, urge lembrar que o Japão sinalizava uma rendição, porém os EUA ignoravam os indícios, principalmente porque almejavam testar o nefasto armamento nuclear em uma população, bem como para demonstrar ao mundo e à União Soviética seu poderio militar.

Como se percebe, há várias reflexões sobre o 11 de setembro.

Todavia, neste domingo, serão lembrados, unicamente, os 10 anos do atentado de 2.001, com a reiteração infindável de cenas cinematográficas, em vários ângulos, das explosões dos aviões e das ruínas das torres gêmeas. Contar-se-á, uma vez mais e apenas, o fim da história. Esquecer-se-á, de novo e deliberadamente, de relatar os atos que contribuíram e/ou ensejaram aquela situação.

Afinal, tais ataques são consequência e reação, não uma mera afronta à liberdade e/ou paz dos Estados Unidos, supostos paladinos destes valores, como muito se apregoa pela mídia ocidental. São, sem dúvidas, frutos da política externa belicista do governo estadunidense, apoiada pela maioria do povo, cuja cultura parece idolatrar a guerra.

Basta lembrar que tiranias e/ou golpes de estado receberam e recebem apoio e/ou financiamento dos EUA, dentre os quais se destacam os governos teocráticos árabes (alguns envolvidos atualmente em constantes revoltas por direitos civis), grandes aliados por fornecerem um importante produto à economia ianque: o petróleo.

Saddam Hussein, por exemplo, era estimado parceiro político estadunidense, sendo financiado para combater os iranianos entre 1.980 e 1.988, tornando-se inimigo apenas quando invadiu o Kuwait, uma vez que este país se recusava a diminuir a produção de petróleo para aumentar o preço do barril no mercado, algo que ditador iraquiano almejava.

São fatos registrados pela História, embora sejam pouco divulgados. Os EUA foram e são fomentadores do terrorismo em várias partes do mundo. Portanto, ao menos com relação aos ataques de 11/09, é necessário dizer: os estadunidenses se tornaram vítimas de sua própria cria.

Toda vida ceifada, independentemente de nacionalidade, merece respeito e condolências. Porém, não devemos compactuar com a ideia de que o 11 de setembro de 2.001 se resume, pura e simplesmente, a um ato de fanatismo religioso. Engloba, sobretudo, interesses políticos e econômicos de governos e empresas. Não se relacionam com direitos, liberdade ou paz, vestes utilizadas, não raro, para legitimar guerras, como ocorreu no Afeganistão e no Iraque após o 11/09/2001.

domingo, 4 de setembro de 2011

De céticos a cínicos (Emir Sader)

O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.

Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.

Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.

Seu discurso é que o mundo está cada vez pior, à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando.

Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX
, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada. Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia. De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização, para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.

Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.

Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está. Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.

Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação consciente, organizada, solidária dos homens e mulheres concretamente existentes.

domingo, 7 de agosto de 2011

Brasil, Noruega e seus cordeiros mortos (Wiki Repórter Cesar)

A primeira morte no massacre da Noruega foi causada pelo maluco assassino.

Todas as demais mortes foram causadas pela estupidez dos desarmamentistas, pela famigerada cultura de submissão e covardia propagada por covardes pacifistas com seus ideais “politicamente corretos”.

Recapitulando: depois do ataque à bomba contra o escritório do primeiro-ministro, o psicopata atacou q tiros o acampamento de jovens do Partido Trabalhista na Ilha de Utoya, a 40 km de Oslo, deixando mais oitenta e cinco mortos.

Haviam 560 pessoas naquela ilha, e o único policial ali, não portava armas (proibido por lei a todos), e foi o primeiro a ser morto.

Horrível, monstruoso? Sim. Inevitável? Não.

É o resultado da submissão e covardia, que transformam o cidadão num debilóide incapaz e sempre dependente das instituições do Estado.

É o velho plano da escravização socialista, sonhado ainda pelos meliantes dos anos 70, que nos governam hoje.

Essa ideologia de renuncia ao direito e à capacidade de defender sua família, sua propriedade e sua própria vida, torna o indivíduo fraco, submisso e covarde; entregando toda a responsabilidade ao governo, à polícia e ao Judiciário e abrindo mão de seus meios de defesa – especialmente as armas. Limita-o a gritar debilmente: “sou da paz” e a pensar que cumpriu seu dever livrando-se do brio e da coragem.

Não reaja”, dizem os maus políticos, a grande mídia e as ONGs pra lá de suspeitas. “Nem olhe para o bandido, para que ele não tema que você o reconheça”. “Nunca ande completamente sem dinheiro, mas sempre leve algum para que o ladrão não fique irritado”.

Discurso bonitinho, mas prejudicial. Na prática torna você uma vítima indefesa, dependendo da misericórdia de pessoas de má índole. O resultado é cada vez mais, freqüentemente, ser morta a vítima indefesa, mesmo sem reagir.

O que aconteceu na Noruega?

Havia 560 pessoas na ilha e apenas um atirador. Ninguém reagiu. Seriam 560 contra um. Mesmo assim o maluco solitário matou 85 pessoas e saiu ileso e sorridente. O agressor agiu livremente por uma hora e meia sem que ninguém lhe oferecesse qualquer resistência. Todos ficaram aguardando a chegada de um salvador.

Para pelo menos 85 deles, o salvador nunca chegou (havia um policial dando a segurança e, alegrem-se os pacifistas das ONG, totalmente desarmado). Foi o primeiro a ser abatido.

Quinhentas e sessenta pessoas entraram em pânico e tentaram fugir sem sequer pensar em reagir, alguns se escondendo atrás de pedras, outros se jogando ao mar, outros se escondendo no banheiro.

Outros, paralisados de medo, só não foram abatidos por sorte. Enquanto o agressor gritava que ia matar todo mundo, passeando entre corpos de vítimas já abatidas, alguns se fingiram de mortos.

Houve até quem usasse outras pessoas como escudos humanos, tremendo de medo enquanto seus amigos eram alvejados e seus corpos caiam sobre ele.

Como é possível que ele tenha permanecido uma hora e meia atirando sem que ninguém entre cerca de 560 pessoas tenha gritado “PRA CIMA DELE, TODO MUNDO!”???

Resposta: porque, mais do que no Brasil, na Noruega a população é doutrinada segundo a cultura de submissão e covardia que os torna incapazes de lutar até mesmo por suas vidas. Deixam-se matar sem combater, como cordeiros, e o lobo nem se importa com o número dos cordeiros.

Entretanto, mesmo alguns animais são capazes de atitudes muito mais dignas, solidárias e coordenadas. Enquanto cordeiros e veados procuram apenas fugir, os búfalos, os porcos do mato e mesmo os pequenos macacos prego, por vezes atacam em grupo, furiosamente ao agressor de um deles. Não se deixam abater pelo medo.

Sua dignidade e sua coragem superaram o temor. Naturalmente, não estariam dispostos a abrir mão de usar suas armas, mesmo que sejam os pequenos dentes do macaco prego. Agora, se você entra num galinheiro para pegar uma galinha, nenhuma outra o enfrentará. Procurarão apenas salvar a pele.

O que aconteceu no massacre na escola em Realengo?

Aqui, em nosso país, o massacre de Realengo só foi interrompido pela arma de um sargento da PM. Não fosse esse policial, que entrou pelos corredores onde só se ouviam disparos, choros e gritos, o numero de vítimas seria incalculável, pois ainda havia muitas crianças para serem mortas e munição não faltava ao psicopata.

Mas tinha um homem que chegou e encerrou a tragédia porque portava uma arma. Era um policial, mas poderia ser um professor, ou qualquer cidadão honesto que portasse uma arma.

Ninguém pode esperar que se coloque um policial em cada sala de aula. Foi sorte aquele policial ter sido encontrado por uma criança a três quadras dali, mesmo assim chegou tarde para doze crianças.

Houvesse um policial na escola, certamente o psicopata o teria morto a traição antes do massacre. Apenas uma cultura de reação e pessoas armadas o poderiam ter evitado.

Ainda em nosso país, há algum tempo atrás, um maluco, estudante de medicina, sob efeito de remédios, iniciou um massacre em um cinema. Não me lembro quantos matou, mas várias pessoas, ignorando o medo, pularam em cima e o dominaram.

É assim que se faz; melhor teria sido se algumas dessas pessoas honradas tivessem armadas. Naturalmente, a mídia desestimula: “É perigoso reagir”. Mais perigoso é se deixar matar.

Na Noruega, país de população ambientalista, parece ter perdido a referência da realidade na tentativa pacifista de "interagir" com criminosos e animais selvagens, todo mundo é da "paz"

Na Suíça, isso teria sido diferente; o psicopata cairia rapinho, morto no chão. A Suíça é um pais pacífico, mas é o mais armado a nível de cidadania civil. Pacífico, não pacifista. Tranqüilo, não covarde. Se, na Noruega, um estivesse armado no meio da confusão, a tragédia seria menor, mas lá o cidadão não pode ter armas. Nem a polícia. A Noruega é uma das patrocinadoras das ONGs "Viva Rio” e “Sou da Paz”, que atuam no nosso Brasil.

Emblemático, não acham?

Se o desarmamento e o incentivo a “não reação” incentivam o banditismo, complicando a segurança pública, pior ainda é quando se trata da segurança nacional. Aí então é que atrai todas as desgraças.

A Noruega, com seu pacifismo e sua debilidade militar, atraiu simultaneamente a invasão britânica e a alemã na II Guerra Mundial e sua capital foi tomada por uma banda de música, enquanto a Suíça ficou sem ser invadida nas duas grandes guerras.

Por que será?

É porque a Suíça reage e sua população é armada. A Noruega, desarmada e pacifista, ou seja, acovardada, é invadida e ocupada. A Suíça, corajosa e bem armada, conquista o direito de viver em paz.

Está na hora de pensar que tipo de nação queremos ser. Se queremos ser um grupo de pessoas vestidas de branco, choramingando para conscientizar os malfeitores; se queremos nossos filhos amedrontados, encerrados em casa. Ou se queremos pisar firme, cantar alto e sorrir livres.

domingo, 3 de julho de 2011

Estamos com fome de amor (Arnaldo Jabor)


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

domingo, 26 de junho de 2011

Felicidade (Paulo Pereira da Costa)

Dos bens que o ser humano almeja, acho que a felicidade deveria vir em primeiro lugar. Se o gênio da lâmpada surgisse para atender a um pedido, muitos desejaríamos ser podres de ricos, outros, muito bonitos, outros, muito inteligentes, enfim... Talvez poucos dissessem apenas: “quero ser feliz”. Na verdade, as pessoas buscam a felicidade, e os desejos que mencionei são o caminho que a maioria pensa que leva a ela. Sonha-se em ganhar muito dinheiro, ter poder, beleza, influência, etc., porque se supõe que sem isso não dá pra ser feliz. Ou seja, para muitos, a felicidade é um tesouro inatingível antes da conquista de um monte de outras coisas. Mas o que, afinal, é ser feliz? Ter uma bela casa? Carro top de linha? Roupas caras? Muito dinheiro? Não. A felicidade é um estado de espírito, um sentimento que se sustenta sem necessidade de certos valores materiais.

Está mais no que se é do que naquilo que se tem. De que vale uma cama confortável se o sono não vem?

A felicidade existe. Não é possível, obviamente, tê-la o tempo todo porque, afinal, não somos invulneráveis. Mas está presente na nossa vida muito mais do que imaginamos. Às vezes ela está ali, pronta para ser usufruída, mas não a reconhecemos; então vamos procurá-la nas coisas e nos lugares errados, e aí caímos na solidão, na frustração, na insatisfação.

Há uma preocupação excessiva de passar uma boa impressão, de mostrar prosperidade, de ostentação, uma vontade insana de querer parecer melhor do que os outros. Isso nada tem a ver com felicidade. Canta Moraes Moreira: “Felicidade é uma casinha pequenina/ é uma cidade, é uma colina/ qualquer lugar que se ilumina/ quando a gente quer amar...” (Pão e Poesia). A felicidade é uma luz que sai de dentro da gente e reflete ao redor, não importa o tempo nem o lugar. Certa vez, depois do trabalho, fui buscar minha filha caçula na escola; quando voltava, ao parar no semáforo, olhei para trás e vi-a deslumbrada, prestando atenção nas lojas, nas luzes, no movimento das pessoas. Percebi que, a despeito da lentidão do trânsito, do cansaço, aquele era um momento feliz. A felicidade dela me contagiou.

A nossa mania de grandeza impede-nos de ver e sentir que, na maior parte do tempo, somos felizes. Não há necessidade de que tudo esteja perfeito. Não carece de êxtase supremo, grande exaltação, frenesi, prazer extremo. A dádiva da vida já é motivo de júbilo. Há muitas coisas simples que são prazerosas. A mera satisfação de nossas necessidades biológicas, por exemplo. Aquele cochilo no sofá com o livro caído do lado, o desenho animado do Snoopy, ler, ver a chuva cair, ter comida na mesa, caminhar, conversar com gente bacana, matar a sede com um caldo de cana. Para ser feliz, basta valorizar coisas e situações simples, muitas delas gratuitas, que propiciam satisfação íntima, bem-estar.

O trabalho pode ser prazeroso se visto como algo que propicia estar com os amigos, ajudar pessoas, exercitar a criatividade, superar-se. Ser feliz é viver. Viver é enfrentar problemas, buscar serenidade, força espiritual, romper barreiras, lutar. Vida é energia, é ação, é o beijo, o abraço, o aperto de mão. É o sorriso, é ser criança, é ser livre, ter esperança.

É sonhar, é compartilhar. É satisfazer a vontade, é aproveitar a ocasião, a oportunidade. É tentar a conquista, é ter um ponto de vista.

Felicidade é gostar de viver sabendo dos altos e baixos, dos solavancos; é ter disposição para subir e descer barranco, empurrar o carro para pegar no tranco; é não ligar se tem muito ou pouco dinheiro no banco; felicidade é viver com intensidade, sem se importar com a idade nem se é pobre ou rico; é ter liberdade, autenticidade, não ter medo de ‘pagar mico’, prezar pela verdade, não dar bola para fuxico; felicidade é apreciar a arte, é conviver, ter amizade, é fazer parte; é aprazer-se com coisas simples, gostar do trivial, cultivar a bondade, fazer o outro sentir-se especial, perdoar, vencer dificuldade; felicidade é o fascínio com o brilho da lua, é o domínio da vontade fútil, é comer cenoura crua, é sentir-se útil; é ter bom humor, é apreciar o sabor da comida, é a turma reunida; felicidade é viver cada segundo em plenitude, é não desejar o impossível, é saber envelhecer, ter noção da magnitude de cada ato, é ser sensato; felicidade é encontrar amigos, relembrar fatos antigos, prosear; é ter alegria, sorrir, buscar harmonia, é amar, é dar graças a Deus por existir.

Muitas coisas me deixam feliz, mas uma, em especial, é saber que você leu este texto até o final.

domingo, 5 de junho de 2011

Um ato quase incondicional (Bruno Momesso Bertolo)

Dia 25 de maio foi o Dia Nacional da Adoção. Na edição de mencionada data, o Jornal de Limeira publicou matéria na qual narrava que, em Limeira, há o dobro de casais habilitados para a adoção em relação ao número de crianças e adolescentes aptos a serem adotados. O maior dos empecilhos para a adoção se efetivar é o perfil escolhido pelos adotantes, que almejam, em regra, infantes com até dois anos de idade e caucasianos. Em alguns casos, preferem até que sejam do sexo feminino.

Aliás, por qual motivo existe sobredito perfil? Por que reduzir um ser humano à uma condição materialista, aceitando-o unicamente se atender determinadas especificações e/ou preferências?

Eis um grave equívoco, totalmente contraditório ao ato de adotar. Semanticamente, o verbo “adotar” até pode significar “escolher” e/ou “optar”, porém, sobretudo por se tratar de pessoas, a expressão mais adequada seria “aceitar” e/ou “acolher”. Assim sendo, não se atrela a qualquer conjuntura.

Talvez os adotantes optem por crianças de tenra idade acreditando que tal circunstância facilitará a aceitação do adotado, o que não creio ser verdade. Com efeito, se o adotado souber desde o início de sua condição, não haverá o impacto emocional de saber que não pertence ao grupo genético da família com a qual convive. Compreenderá, também, que os adotantes acolheram-no em razão de amá-lo infinitamente, algo que alguns genitores não ostentam.

É possível, ademais, que candidatos brancos não escolham afro-descendentes (e vice-versa) em decorrência do racismo que permeia a sociedade brasileira, visando evitar prováveis dissabores pela coloração diferente da pele entre pais e filho. Faz sentido, mas se trata de uma postura cômoda e simplista. Afinal, os preconceitos somente ruirão quando a população for confrontada com situações com as quais não está habituada, vivenciando-as e, posteriormente, assimilando-as (ainda que não as aceite).

O perfil exigido para a adoção é desnecessário para aqueles que entendem o verdadeiro sentido da adoção. Traçando um paralelo, seria como os pais biológicos renegar seu descendente porque uma ou outra característica não o agrada. Apenas a genética distingue a adoção e a paternidade biológica. Ambas demandam um esforço hercúleo e não é o referido perfil que facilitará as responsabilidades inerentes.

Neste ponto, urge mencionar o excelente filme “Um sonho possível” (The blind side), que retrata a história verídica de Michael Oher, valioso atleta de futebol americano. Ele, um adolescente negro, sem-teto e na iminência de completar a maioridade, foi adotado por um casal de brancos, os quais enfrentaram diversos questionamentos, um dos quais é muito surpreendente e revelado ao final. Em uma de minhas cenas favoritas, Leigh Anne (a adotante) conversa com suas amigas, quando uma delas diz que ela está mudando a vida do jovem rapaz. De imediato, Leigh Anne responde, com os olhos lacrimejantes: “Não, ele é quem está mudando a minha”.

A adoção é, essencialmente, um ato de amor. Portanto, incondicional. Ou melhor, quase incondicional. Há tão-somente um aspecto fundamental: a empatia espiritual entre adotante e adotado, que pode ser aferida, por exemplo, com um mero olhar. Algo que perfil algum poderia alcançar.

domingo, 29 de maio de 2011

Lição de Fukushima (Ha Minh Thanh)

A carta a seguir foi escrita por Ha Minh Thanh, um imigrante vietnamita que é policial em Fukushima no Japão, a seu irmão, mas acabou chegando a um jornal em Shangai que a traduziu e publicou.

Querido irmão,

Como estão você e sua família? Estes últimos dias tem sido um verdadeiro caos. Quando fecho meus olhos, vejo cadáveres e quando os abro, também vejo cadáveres. Cada um de nós está trabalhando umas 20 horas por dia e mesmo assim, gostaria que houvesse 48 horas no dia para poder continuar ajudar e resgatar as pessoas.

Estamos sem água, eletricidade e as porções de comida estão quase a zero. Mal conseguimos mudar os refugiados e logo há ordens para mudá-los para outros lugares. Atualmente estou em Fukushima, uns 25 quilômetros da usina nuclear. Tenho tanto a contar que se fosse relatar tudo, essa carta se tornaria um verdadeiro romance sobre relações humanas e comportamentos durante tempos de crise.

As pessoas aqui permanecem calmas – seu senso de dignidade e comportamento são muito bons – assim, as coisas não são tão ruins como poderiam. Entretanto, mais uma semana, não posso garantir que as coisas acabem chegando a um ponto onde não poderemos dar proteção e manter a ordem de forma apropriada.

Afinal de contas, eles são humanos e quando a fome, a sede se sobrepõem à dignidade, farão o que tiver que ser feito para conseguir comida e água. O governo está tentando fornecer suprimentos pelo ar enviando comida e medicamentos, mas é como jogar um pouco de sal no oceano.

Irmão querido, houve um incidente realmente tocante que envolveu um garotinho japonês que ensinou a um adulto como eu, uma lição de como se comportar como um verdadeiro ser humano.

Ontem à noite fui enviado para uma escola infantil para ajudar uma organização de caridade a distribuir comida aos refugiados. Era uma fila muito longa e notei no final dela, um garotinho de uns 9 anos que usava uma camiseta e um short.

Estava ficando muito frio e fiquei preocupado se, ao chegar sua vez, poderia não haver mais comida. Fui falar com ele. Ele contou que estava na escola quando o terremoto ocorreu. Seu pai, que trabalhava perto, estava se dirigindo para a escola para apanhá-lo e ele, que estava no terraço do terceiro andar, viu quando a onda tsunami levou o carro com seu pai dentro. Perguntei sobre sua mãe e ele disse que sua casa era bem perto da praia e que sua mãe e sua irmãzinha provavelmente não sobreviveram. Notei que virou a cabeça para limpar uma lágrima quando perguntei sobre sua família.

O garoto estava tremendo. Tirei minha jaqueta de policial e coloquei sobre ele. Foi aí que minha bolsa de bento (comida) caiu. Peguei-a e dei a ele dizendo:
Quando chegar a sua vez a comida pode ter acabado. Assim, aqui está a minha porção. Eu já comi. Por que você não come?

Ele pegou a minha comida e fez uma reverência. Pensei que ele iria comer imediatamente, mas ele não o fez. Pegou a comida, foi até o início da fila e colocou-a onde todas as outras comidas estavam esperando para serem distribuídas.

Fiquei chocado. Perguntei-lhe porque ele não havia comido ao invés de colocar a comida na pilha de comida para distribuição. Ele respondeu:

Porque vejo pessoas com mais fome que eu. Se eu colocar a comida lá, ele irão distribuí-la mais igualmente.

Quando ouvi aquilo, virei-me para que as pessoas não me vissem chorar. Uma sociedade que pode produzir uma pessoa de 9 anos que compreende o conceito de sacrifício para o bem maior, deve ser uma grande sociedade, um grande povo.

Bem, envie minhas saudações à sua família. Tenho que ir, meu plantão já começou.

Ha Minh Thanh

domingo, 1 de maio de 2011

A alienação coletiva brasileira (Bruno Momesso Bertolo)

Somos um povo alienado, submisso e conivente. Alguns preferem denominarmos como alegres, pacíficos e despojados, talvez uma forma de minimizar ou ocultar um grave problema que, infelizmente, parece se agravar: a alienação coletiva brasileira.

A meu ver, quatro fatores colaboram – e muito – para o estado letárgico do brasileiro: futebol, televisão, religião e carnaval.

Beira o ridículo o fanatismo – quase uma enfermidade – que acomete inúmeras pessoas com relação ao futebol, seja para um time, seja para a seleção. Choram, protestam, discutem diariamente, enfim, transformam um mero entretenimento em algo sagrado, que, às vezes, gera até violência e mortes. Para alguns, o futebol é a razão de viver.

Situação semelhante verifica-se no que tange aos programas televisivos, sobretudo novelas e reality shows, onde discussões acaloradas, milhões votos tarifados por telefones e leitura de revistas fúteis, hipnotizam os telespectadores, os quais poderiam, por exemplo, dedicar-se à leitura de um livro ou jornal.

Da mesma forma, algumas crenças pregam aos seus fiéis a despolitização e alienação, principalmente quando disseminam a ideia de que a conjuntura política, social e econômica de um indivíduo trata-se de uma vontade divina que devemos humildemente aceitar, como se fôssemos meros marionetes.

Por sua vez, o Carnaval chega a ser surreal, já que são dias de infindável festa, enquanto o país chafurda em corrupção, produzindo diversas mazelas sociais, tais como a violência, a desigualdade social, a carência de setores como educação, saúde e segurança pública, etc..

Sem dúvidas, a democracia brasileira possui tenra idade e ainda se aperfeiçoa, sobretudo se comparada com outras nações mais antigas e estáveis. Entretanto, transcorridos mais de duas décadas desde a promulgação da Constituição Federal de 1.988, o brasileiro já deveria ter ciência que todo poder emana da população, bem como que a democracia é o poder do povo, pelo povo e para o povo.

Lamentavelmente, a maioria da sociedade tupiniquim acredita que exercer seus direitos políticos limita-se a apertar botões somente e a cada dois anos. Uma lei como a denominada Ficha Limpa só poderia existir em um país como o Brasil, pois bastaria que os eleitores, se fossem atentos e politizados, não votassem nos candidatos que possuem histórico de improbidade administrativa e/ou crimes.

Diante do exposto, tenho que concluir com um célebre adágio: “Cada povo possui o governo que merece!”.

domingo, 24 de abril de 2011

A Homossexualidade e o Espiritismo (Eurípedes Kühl)

Prefácio
Todas as respostas estão dentro do próprio homem.

Deus, o Criador de tudo e de todos, criou os homens simples e ignorantes, tendo por destino a Evolução permanente.

A todos equipou com Sua centelha: a Consciência!

A Consciência tem duas metades: a Inteligência e o Livre-arbítrio.

Leis Naturais, desde sempre pré-estabelecidas, imutáveis, justas, perfeitas, infalíveis, em estreita ligação com a Consciência, vêm balizando o ser para o seu destino, rumo à eternidade: evoluir sempre.

Por Evolução entenda-se a aquisição e prática constante de virtudes, com conseqüente banimento de defeitos.

Como fonte permanente de energia para realizações construtivas o homem recebeu do Pai sublime tesouro: o Sexo!...

Causas
O Espírito concentra energias eternas no nível superior da sua estrutura, energias essas que distribuem-se pelos sistemas mental, intelectual e psíquico, repercutindo no corpo humano.

No incessante pendular das reencarnações, essas energias irão concentrar-se na psique, do que a personalidade do ser humano é pequena mostra. As características mentais, superiores e inferiores, não se alterarão, esteja o Espírito vestindo roupagem física masculina ou feminina.

Por outras palavras: virtudes ou defeitos não sofrem variações em função do sexo a que pertença o agente, ora encarnado.

A parte que muda - e muda bastante -, é o campo gravitacional da força sexual, quando o reencarnante também muda de sexo.

Na verdade, quando no limiar da evolução máxima terrena, os Espíritos já não apresentam tais mudanças, se homem ou mulher. Neles é expressivo o domínio completo das tendências, com isso dominando e direcionando as altas fontes energéticas sexuais para obras criativas, invariavelmente a benefício do próximo.

Naturalmente, caro leitor, estamos falando dos chamados "santos".

O sexo, essencialmente, define as qualidades acumuladas pelo indivíduo, no campo mental e comportamental.

Assim, homens e mulheres se demoram séculos e séculos no campo evolutivo próprio em que se situam suas tendências, masculinas ou femininas.

A Natureza, prodigamente, inversa a polarização sexual dos indivíduos que detenham apreciável bagagem de experiências num dos campos, masculino ou feminino.

Nesses casos, tal inversão se dá de forma natural, sem desajustes.

Contudo, existem casos, nos quais será útil ao Espírito renascer, compulsoriamente, em campo sexual oposto àquele em que esteja, por abusos e desregramentos. Aí, o nascimento de criaturas com inversão sexual cogita, na maioria dos casos, de lide expiatória.

Isso acontece porque pessoas há que tiranizam o sexo oposto.

O homem, por exemplo, prevalecendo-se de sua superioridade, auto-concedida, abusa e surrupia direitos à mulher, passando a devedor perante a Lei de Igualdade, do que sua consciência, cedo ou tarde, o alertará.

Então, quando isso ocorre, voluntária ou compulsoriamente, será conduzido pela Justiça Divina a reencarnar em equipamento feminino.

Mantendo matrizes psíquicas da masculinidade, estará extremamente desconfortável num corpo feminino, para assim aprender o respeito devido à mulher, seja mãe, irmã, filha ou companheira.

Identicamente, sucederá à mulher que, utilizando seus encantos e condições femininas de atração, arrastou homens ao desvairo, à perdição, ao abandono da família: terá que reencarnar como homem, embora suas tendências sejam declaradamente femininas.

Nessa condição, os que dão livre exercício a tais tendências, cometem novos delitos.

Considerando que tais indivíduos encontram-se em provação (desenvolvimento de resistências a má inclinação), ou, em expiação (resgate de faltas passadas), seu mau procedimento agrava seu karma.

Não é sem razão que Divaldo Franco e Chico Xavier, médiuns dedicados, com larga experiência no trato do Espiritismo, consideram o homossexualismo um gerador de angústias.

Philomeno de Miranda (Espírito), em "Loucura e obsessão", F.E.B., 1988, Brasilia/DF, 2a.Ed., pag. 75, consigna o homossexualismo como provação, alertando que, "a persistência no desequilíbrio, remeterá o ser compulsoriamente à expiação, mutiladora ou alienante".

Homens e mulheres nascem homossexuais com a destinação específica do melhoramento espiritual, jamais sob o impulso do mal.

Os homossexuais, homens ou mulheres, assim, são criaturas em expurgo de faltas passadas, merecedoras de compreensão e sobretudo esclarecimento.

Tornam-se carentes diante da Bondade do Pai, que jamais abandona Seus filhos.

Terão renovadas chances de aperfeiçoamento espiritual, eis que a Reencarnação é escola que aceita infinitas matrículas, inda que na mesma série.

Os verdadeiros espíritas e os verdadeiros cristãos, que são a mesma coisa, sentem um enorme dó diante de uns e outros - os homossexuais e os seus radicais detratores. Entendem que os primeiros estão com sofrimentos e que os segundos estão plantando espinhos. Em tempos próximos (creem os espíritas), a sociedade como um todo compreenderá que tais desajustes representam quebra de dura disciplina, solicitada ou aceita, anteriormente a reencarnação.

Os homossexuais não são passíveis de críticas, senão de esclarecedoras luzes espíritas em suas sensíveis almas, iluminando seu presente.

A Família
A homossexualidade, seja "provação", seja "expiação", sempre coloca seu portador em situação delicada perante a sociedade, já a partir do lar.

Em casa, de nada adiantarão brigas entre os pais, menos ainda acusações recíprocas. Violência ou ameaças contra os filhos portadores da homossexualidade, geralmente agravarão a convivência, tornando-a insuportável.

O confronto entre os costumes sociais e as exigências da libido já expõe o homossexual a um penoso combate, pelo que precisa ser ajudado. Dificilmente, sem ajuda externa, ele se livrará dos perigosos caminhos do abandono do lar, da promiscuidade, dos tóxicos, da violência e até mesmo do crime.

É no meio familiar que o homossexual deverá encontrar sólidos alicerces preparativos para os embates da vida, contando com o incomparável arrimo da compreensão, principalmente do respeito.

Pela Lei de Justiça divina, esse filho ou essa filha estão no lugar certo, entre as pessoas também certas: sua família.

Os pais, assim evangelizados, jamais condenarão o filho ou a filha, mas também jamais deixarão de orientá-los quanto à necessidade do esforço permanente para manter sob controle os impulsos da homossexualidade.

"Manter sob controle" é entender, prospectivamente, que tal tendência tem raízes no passado, em vida anterior, e que somente a abstenção, agora, livrará seu portador de maiores problemas, já nesta, quanto em vidas futuras...

"Manter sob controle", ainda, é perseguir a vitória na luta travada entre o "impulso" e a "razão", ou melhor, entre o corpo, exigente desse prazer e o Espírito, decidido à conquista da normalidade sexual.

A oração, o Evangelho e a vontade, juntos, darão ao homossexual outros prazeres, outras compensações, pacificando assim corpo e Espírito.

A fé em Deus e a certeza das vidas futuras, sem tais infelicidades, serão inestimável catalisador para o êxito.Nesses problemas, como em todos os demais, a união familiar e a companhia de Jesus constituem sempre a melhor solução.

Libertação
Longe de condenar os homossexuais, o Espiritismo sugere-lhes o esforço da sublimação, único meio para livrá-los de tão tormentoso débito. Diz mais a Doutrina dos Espíritos, aos homossexuais:
1) o exercício continuado da caridade fará com que a tela mental se reeduque, substituindo hábitos infelizes por amor fraternal ao próximo;
2) se as forças sexuais forem divididas entre estudo, lazer e ações de fraternidade, elas se converterão em aspiração evolutiva espiritual, anulando os impulsos deletérios do desejo;
3) inquilinos desencarnados serão desde logo despejados do íntimo do reeducando sexual;
4) encarnados infelizes, pela falta de sintonia, igualmente se afastarão (ou serão afastados, por ação de protetores espirituais, sempre dispostos e prontos a ajudar quem se esforça no domínio das más tendências);
5) tanto quanto para o descaminho ninguém anda só, para a correção o Céu se abre em bênçãos, permanentemente;
6) jamais faltarão mãos amigas para acolher "os filhos pródigos" que retornarem à Casa do Pai, depois de terem morado algum tempo em casas afastadas do Bem!

domingo, 3 de abril de 2011

Algumas considerações sobre o homossexualismo (Bruno Momesso Bertolo)

Recentemente, um parlamentar (leia-se pra lamentar), cujo nome sequer merece ser citado, envolveu-se em uma polêmica sobre homofobia. A repercussão foi imediata e de elevada proporção. Protestos, apoios, debates, enfim, uma gama de atos se sucedeu. Todavia e infelizmente, o cerne limitou-se à eventual punição de referido político, preterindo questões fundamentais. Diante deste quadro, tecerei algumas considerações sobre o homossexualismo.

Por que a homossexualidade incomoda algumas pessoas? Em qual direito, moral ou legal, um indivíduo supõe estar legitimado para imiscuir-se na vida alheia, especialmente no que tange à sexualidade? Por que se preocupar com a denominada opção sexual de outrem?

Na verdade, o termo correto, utilizado principalmente nos países de idioma espanhol, é orientação sexual. De fato, ninguém opta ser homossexual, assim como ninguém escolhe ser heterossexual. Simplesmente é, nasce-se assim, por razões desconhecidas e pouco relevantes. O intuito não é equiparar, mas a título de ilustração, basta lembrar que também há famílias compostas por membros do mesmo sexo entre os animais. Talvez seja algo genético, hormonal e/ou espiritual. Não é, sem dúvidas, uma enfermidade a ser tratada.

Não há nada de errado em ser homossexual. Tampouco representa falha ou ausência de caráter, portanto, não é motivo para vergonha, temor e/ou aversão.

É profundamente entristecedor constatarmos pais – sobretudo o genitor – que renegam seus filhos, sob o argumento de que maculam a honra da família tão somente por serem homossexuais. Preferem abdicar de uma condição deveras especial, isto é, a paternidade ou a maternidade, deixando de acolher e apoiar sua descendência, unicamente para posar perante a sociedade como alguém que não compactua com a homossexualidade. O amor, se é que um dia existiu, é substituído pela inclemência.

Neste ponto, cumpre mencionar que os índices de suicídios entre homossexuais têm aumentando vertiginosamente em muitos países, bem como as agressões e os assassinatos de aludidas pessoas, vitimadas por serem diferentes da maioria. Qual a razão de tanta intolerância, fomentada e/ou aceita – ainda que silenciosamente – por muitos?

A sociedade brasileira deve rever seus conceitos e evoluir, como já ocorreu em outras searas. Desse modo, poderemos finalmente conviver em uma nação heterogênea e autêntica, onde todos possam ser realmente o que são. Sem preconceitos, sem violência, sem rótulos, sem julgamentos e sem receios. Apenas seres humanos.